Situações Didáticas

– conteúdos e métodos de ensino

Inscrições: https://forms.gle/9qX3b5QBumevFKns8

Informações: acm@acm-itea.org

Profª. Msª. Amal Rahif Suleiman

Introdução

Diante da importância que a Matemática representa nas diversas áreas de conhecimento, de sua utilidade na tecnologia, no desenvolvimento cognitivo, criativo e do pensamento crítico para tomada de decisões, o seu ensino e a sua aprendizagem são altamente investigados em Educação Matemática no Brasil e em muitos países.

Considerando ainda, que a Matemática ocupa, para muitos, o posto da “disciplina difícil”, que possui linguagem própria, rigor de escrita e abstração de conceitos, ensejando dificuldades de aprendizagem, torna-se fundamental apresentar a Teoria das Situações Didáticas (TSD) com a finalidade de promover reflexões e buscar possíveis caminhos mais satisfatórios na Relação Didática da Matemática.

Assim sendo, o objetivo da Palestra concentra-se em proporcionar  alternativas de procedimentos didáticos e trazer à discussão a descrição de fenômenos referentes ao ensino e à aprendizagem de Matemática, em sua dimensão teórica ou na  prática, por meio da Teoria das Situações Didáticas (TSD) de Guy Brousseau.

O conhecimento matemático, seja em sua estética teórica, seja em sua aplicação utilitária precisa ser adquirido pelo indivíduo e pelo coletivo. Por isso deve ser ensinado de tal forma que os alunos possam se “sair bem” com autonomia e aprendizado efetivo. A Didática é uma possibilidade desse processo.

1. Breves Referências Históricas sobre a Didática

A Didática, hoje, é constituída como ciência e seu objeto de estudo é o processo de ensino e aprendizagem. É um ramo da Pedagogia, faz parte das Ciências da Educação e compreende os métodos e as técnicas de ensino.

O primeiro reformador do sistema educacional foi Wolfgang Ratke, contemporâneo do Pai da Didática Moderna – Jan Amos Komenský  (Comenius), que no século XVII, contribuíram para dar formato a muitas das organizações dos sistemas educacionais e dos métodos de ensino atuais, inclusive.

Nesse sentido, torna-se importante referenciar os períodos históricos da trajetória da didática, no Brasil, observando sua evolução.

2. Perspectivas Científicas – Guy Brousseau e a Didática da Matemática

A partir das pesquisas de Guy Brousseau, na década de 1970 – século XX, na França, a Didática da Matemática tem sido estudada por pesquisadores em Educação Matemática. Está fundamentada na Teoria das Situações Didáticas (TSD), a qual estabelece a relação entre o Professor, o Aluno e o Saber. O aluno participa ativamente do processo de aprendizagem, quando se defronta com situações promovidas pelo professor, que o ajudarão a compreender um saber novo, ou vencer uma defasagem/dificuldade.

Brousseau (2008), ao sistematizar a TSD, considera que os alunos quando aprendem os conhecimentos matemáticos se apossam de propriedades formativas que devem ser adquiridas pelo indivíduo e pela coletividade, num contexto histórico e cultural. De igual maneira, analisa que a Matemática deve ser ensinada em conjunto com as Ciências da Educação, a Psicologia e a Didática.

Em todas as situações deve existir a presença de um saber, das ações do professor que promove o meio didático – o “milieu” e a atividade do aluno que cria um meio adidático, age, formula estratégias e valida suas conclusões. Assim, o professor institucionaliza o saber com a situação didática.

Em todas as situações didáticas ou adidáticas, o professor desempenha papel determinante no ensino de Matemática.

3. O Contrato Didático

A prática docente é um movimento desafiador e necessita negociar regras (muitas vezes, implicitamente) para efetivar sua atuação. Brousseau (2008) define Contrato Didático como sendo um jogo de negociações e expectativas envolvendo o comportamento do professor e do aluno na presença do saber matemático.

E institui o Triângulo Didático como representação da relação didática entre esses três elementos posicionados um em cada vértice do triângulo: o saber, o professor e o aluno.

4. A Sequência Didática como Aplicação da TSD

A Sequência Didática referenciada na Base Nacional Comum Curricular – BNCC (2017) é uma ferramenta didática, que por ser dinâmica e interativa, tende a melhorar a relação aluno-professor diante de um conteúdo trabalhado em várias etapas.

Visa o desenvolvimento das competências matemáticas como a análise de figuras, a resolução de problemas e a compreensão de conceitos.

5. Yves Chevallard e Gèrard Vergnaud – Mais Didática da Matemática na França

Professores e pesquisadores franceses da Didática da Matemática.

O primeiro, Yves Chevallard, desenvolveu a Teoria Antropológica da Didática (TAD) e abrangendo a Teoria da Transposição Didática , que consiste em estudar o conjunto de transformações que sofre um saber sábio a ensinar (conhecimento científico) em um saber de ensino (conhecimento escolar).

Gérard Vergnaud foi orientando de Piaget (doutorado) e desenvolveu a Teoria dos Campos Conceituais (Aditivo e Multiplicativo). Para ele, qualquer situação complexa pode ser analisada como uma combinação de tarefas, não apenas uma situação.

6. Conclusão

A TSD de Brousseau, assim como as Teorias de Chevallard e de Vergnaud têm por objetivos desenvolver nos alunos a autonomia e a reflexão, tornando-os ativos e argumentativos e capacitá-los em situações de aprendizagem, a agir, formular e validar sua resposta, para que o saber sábio seja institucionalizado. Cabe, então, ao professor, às instituições e à sociedade colocarem em prática na Ciência, na Matemática e na Cultura as possibilidades que a Didática oferece.

Referências Bibliográficas

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: MEC, 2017.

BROUSSEAU, Guy. Introdução ao estudo das situações didáticas: conteúdos e métodos de ensino. São Paulo: Ática, 2008, p128.

BROUSSEAU, Guy. A Cultura Matemática é um Instrumento para a Cidadania. Entrevista, 2009. Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/545/guy-brousseau-a-cultura-matematica-e-um-instrumento-para-a-cidadania. Acesso em 31 mar. 2025.

CASTANHO, Maria Eugênia L.M., CASTANHO, Sérgio Eduardo Montes. Contribuição ao Estudo da História da Didática no Brasil. In: Anais da 31a Associação Nacional de Pós-Graduação, 2008. Caxambu, MG: Disponível em: 31reuniao.anped.org.br/1trabalho/GT04-4031–Int.pdf . Acesso em: 31 mar. 2025.

CHEVALLARD, Yves. La Transposition Didactique. Grenoble: La Pensée sauvage, 1991. Disponível em: https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/5269/5269_4.PDF.  Acesso em: 29 mar. 2025.

COMENIUS, Iohannis Amos. Didáctica magna. Tradução de Joaquim Ferreira Gomes. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2001. Disponível em: http://www.ebooksbrasil.org/adobeebook/didaticamagna.pdf . Acesso em 31 mar. 2025.

LIMA, Paulo Figueiredo. (presidente da SBEM). Há Algo Errado com as Licenciaturas? 1o Colóquio em Epistemologia e Pedagogia das Ciências no Ensino. PUC-RIO-2005. Disponível em: https://www.maxwell.lambda.ele.puc.rio/br. Acesso em: 04 Mar. 2007.

MEDEIROS, Katia Maria de. O Contrato Didático e a Resolução de Problemas Matemáticos em Sala de Aula. 2012. Disponível em: http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/setembro2012/matematica_artigos/artigo_medeiros.pdf. Acesso em: 19 mar. 2025.

RATKE, Wolfgang. Escritos sobre A Nova Arte de Ensinar:textos escolhidos. Apresentação, tradução e notas de Sandino Hoff. Campinas: Autores Associados, 2008. p233.

TEIXEIRA, Paulo Jorge Magalhães; PASSOS, Claudio Cesar Manso. Um Pouco da Teoria das Situações Didáticas (TSD) de Guy Brousseau. Zetetiké – FE/Unicamp – v. 21, n. 39 – jan/jun 2013. Disponível em: file:///C:/Users/User/Downloads/badassie,+07+-+Um+pouco+-+OK%20(1).pdf . Acesso em 21 mar. 2025.

VERGNAUD, G. Multiplicative structures. In Lesh, R. and Landau, M. (Eds.) Acquisition of Mathematics Concepts and Processes. New York: Academic Press Inc. 1983.

Internet:

Amal Rahif Suleiman

Possui graduação em Licenciatura em Matemática pela Universidade Estadual Paulista Júlio de
Mesquita Filho-IBILCE/UNESP/SJRP (1984), graduação em Licenciatura em Ciências Primeiro
Grau pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho-IBILCE/UNESP/SJRP (1984),
graduação em Pedagogia Plena pela Faculdade de Educação Antonio Augusto Reis Neves (1986)
e mestrado em EDUCAÇÃO ESCOLAR pela UNESP-FCLar-CAMPUS ARARAQUARA (2008).

Atuando rincipalmente nos seguintes temas: ensino, educação matemática, educação escolar, ética, jogo, teoria piagetiana, concepções e formação do professor.

CV: http://lattes.cnpq.br/3968965549128881


Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.