– uma leitura Erlangen da Geometria do Grupo Alpha
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1 Introdução
1.1 Felix Klein e o Programa de Erlangen
Programa de Erlangen: simetria como fundamento da geometria, em 1872, Felix Klein propôs uma mudança radical na compreensão da geometria ao formular o Programa de Erlangen. Em vez de definir geometrias por objetos ou métricas específicas, Klein sugeriu que toda geometria deve ser caracterizada pelo grupo de transformações que preserva seus invariantes fundamentais. Assim, a geometria deixa de ser um catálogo de formas e passa a ser uma teoria de simetrias.
Nesse enquadramento, a geometria euclidiana, a geometria afim, projetiva e Riemanniana não são estruturas isoladas, mas casos particulares de um princípio unificador: dizer o que é uma geometria equivale a dizer qual é o seu grupo de simetria e quais invariantes esse grupo preserva. Essa mudança de perspectiva inaugurou uma visão estrutural da matemática que moldaria todo o século XX.
1.2 Sophus Lie: a dinâmica dos grupos contínuos
A intuição de Klein encontra sua realização técnica no trabalho de Sophus Lie, que desenvolveu a teoria dos grupos contínuos de transformações, hoje conhecidos como grupos de Lie. Lie mostrou que as simetrias geométricas não são apenas objetos algébricos abstratos, mas estruturas diferenciais com dinâmica própria.
Com Lie, a geometria passa a ser entendida como algo gerado localmente por campos vetoriais, e não apenas descrito globalmente por métricas. Essa ideia é crucial para geometrias não integráveis e, em particular, para estruturas sub-Riemannianas, onde a acessibilidade do espaço depende de propriedades algébricas como a condição de Hörmander.
Assim, Lie fornece o mecanismo pelo qual o Programa de Erlangen deixa de ser apenas uma filosofia e se torna uma ferramenta concreta.
1.3 David Hilbert: axiomatização e consistência
Enquanto Klein e Lie reorganizam a geometria em torno de simetrias, David Hilbert introduz um segundo eixo fundamental: o da axiomatização rigorosa. Para Hilbert, a força de uma teoria geométrica não reside na intuição, mas na coerência interna de seus axiomas e na clareza das relações entre eles.
Hilbert consolida a ideia de que uma geometria pode ser reconstruída inteiramente a partir de um conjunto mínimo de princípios estruturais, reforçando a visão de Klein:
a geometria não depende da natureza dos objetos, mas das relações invariantes que os conectam.
Esse ponto é essencial para geometrias modernas, nas quais métricas, conexões e curvaturas emergem de estruturas mais fundamentais.
1.4 Hermann Weyl: simetria, gauge e estrutura
Hermann Weyl aprofunda o legado de Klein ao mostrar que a simetria não é apenas classificatória, mas geradora de leis físicas e geométricas. Em sua obra, a noção de invariância evolui para o conceito de simetria de gauge, onde transformações locais determinam a própria forma das equações fundamentais.
Weyl entendia a geometria como algo dinâmico, em que a estrutura do espaço é inseparável das transformações que a preservam. Essa visão reforça o espírito do Erlangen em um nível mais profundo: não apenas os objetos, mas as leis devem ser invariantes sob o grupo apropriado.
Essa perspectiva é particularmente relevante para geometrias não euclidianas e não isotrópicas, onde a métrica não é um dado absoluto, mas uma consequência estrutural.
1.5 Emmy Noether: invariantes como leis
O fechamento conceitual desse programa ocorre com Emmy Noether, que estabelece a ligação definitiva entre simetria e invariantes. Seu teorema mostra que toda simetria contínua corresponde a uma quantidade conservada, transformando a noção de invariância em um princípio universal.
No contexto geométrico, Noether deixa claro que invariantes não são convenções formais, mas necessidades estruturais impostas pelo grupo subjacente. Assim, métricas, curvaturas e quantidades conservadas emergem inevitavelmente da simetria.
Essa ideia completa o arco iniciado por Klein:
a geometria é determinada não por escolhas arbitrárias, mas pelas exigências internas do grupo de transformações.
1.6 O legado do Erlangen
O Programa de Erlangen não é um episódio histórico encerrado, mas um método vivo. Ele reaparece sempre que uma nova geometria é formulada a partir de princípios de simetria, seja na geometria diferencial moderna, na teoria do controle, na física matemática ou em estruturas sub-Riemannianas.
O fio condutor que une Klein, Lie, Hilbert, Weyl e Noether é claro: a matemática avança quando a estrutura precede a forma, e a simetria precede a métrica.
É nesse sentido que o Programa de Erlangen permanece não apenas relevante, mas profundamente atual.
1.7 Grupo Alpha
A proposta do Grupo Alpha se alinha ao espírito do Programa Erlangen de Felix Klein (1872), que propôs classificar geometrias com base em grupos de transformações e seus invariantes.
O Programa de Erlangen define a geometria por grupos de simetria e invariantes, mas não explicita mecanismos internos de transição entre diferentes regimes geométricos. O Grupo Alpha introduz a antissimetria como motor das transições, tornando a geometria dinâmica e emergente. Tal proposta vai um passo além porque agora temos: a topologia que muda com o ângulo θ. Fases geométricas emergentes: Euclidiano-Riemann, Lobachevsky e Sub-Riemann Carnot-Caratheodory. Caminhos de Hörmander garantindo acessibilidade mesmo em regimes sub-Riemannianos e Invariante μ como âncora de coerência.
2 Metodologia
A operação fundamental de divisão geométrica do Grupo Alpha pode ser representada pela matriz M(1), que é uma matriz do espaço hipercomplexo:

A matriz M (1) pode ser dividida na soma de duas matrizes simétricas (S) e antissimétricas (A). A matriz simétrica S pode ser representada pela soma da matriz M mais sua transposta MT.
A parte simétrica S:

A matriz transposta MT

Ao somarmos M + MT, obtemos o seguinte resultado:

Obtendo a matriz simétrica S:

Obtendo a parte da matriz antissimétrica A:

Resultando em:

3 Resultados

Fase Elíptica (Curvatura Positiva): Representada pelo pico Isotrópico (Azul). Próximo de 90º, a geometria é altamente concentrada e simétrica, característica de espaços compactos onde as geodésicas convergem.
Fase Euclidiana (Curvatura Zero): O ponto de transição exato onde o sistema perde sua curvatura intrínseca para se tornar plano. É o “limiar” entre os comportamentos de convergência e divergência.
Fase Hiperbólica (Curvatura Negativa): Representada pelos perfis Moderado (Verde) e Forte (Vermelho). À medida que nos afastamos de , a topologia se “abre”, mostrando múltiplos lobos de probabilidade que caracterizam a divergência de geodésicas em espaços hiperbólicos.
Geometria de Carnot–Carathéodory (Sub-Riemanniana): Esta é a fase mais complexa, onde o movimento é restrito a certas direções (anisotropia severa – Vermelho). No gráfico, isso é visível o peso geométrico efetivo associado a determinadas direções se anula em determinados ângulos, indicando “direções proibidas” ou restrições não-holonômicas típicas desses sistemas. Ângulo ideal para anisotropia máxima: 86.0°.


4 Conclusões
Estendendo o Programa de Erlangen, o Grupo Alpha propõe uma estrutura geométrica mais geral ao unificar, em um único formalismo, transformações simétricas e antissimétricas. Essa unificação permite que a geometria do espaço não seja fixada a priori por uma métrica específica, mas emerja dinamicamente da ação do grupo e de seus invariantes topológicos. Como consequência direta, o sistema exibe uma cadeia reversível de fases geométricas, na qual os regimes Elíptico, Euclidiano, Hiperbólico e Sub-riemanniano de Carnot–Carathéodory surgem como manifestações distintas de uma mesma estrutura subjacente. A transição entre essas fases é controlada por parâmetros internos do grupo, preservando a invariância estrutural global enquanto altera a geometria efetiva observada. Dessa forma, o Grupo Alpha amplia o escopo do Programa de Erlangen ao incorporar não apenas a classificação das geometrias por seus grupos de simetria, mas também a emergência contínua e reversível de diferentes regimes geométricos a partir de uma única entidade algébrica.
Referencias
Corrêa, C. S., de Melo, T., & Custodio, D. (2022). Proposing the Alpha Group. International Journal for Research in Engineering Application & Management (IJREAM), 8(05), 101-104.
Correa, C. S., de Melo, T. B. N., & Custódio, D. M. (2024). The Alpha Group Tensorial Metric. Revista Brasileira de História da Matemática, 24(48), 51-57.
Corrêa, C. S., & de Melo, T. B. N. (2025). The Alpha Group Dynamic Mapping. arXiv preprint arXiv:2507.18303.
Corrêa, C. S., & de Melo, T. B. N. (2025). The Alpha Group 4D Geometry: Symmetric Structures and Topological Transitions. Hal: https://hal.science/hal-05208302v1
Correa, C., & de Melo, T. B. N. (2026). Sub-Riemannian-Driven Topological Restructuring of the Alpha Group Induced by the Angular Matrix M (θ). Preprints.org. doi: 10.20944/preprints202601.2092.v1
Klein, F. (1872). Vergleichende Betrachtungen über neuere geometrische Forschungen: Programm zum Eintritt in die philosophische Facultät und den Senat der k. Friedrich-Alexanders-Universität zu Erlangen. Deichert.
Cleber Souza Correa (IAE) (IAE)

Cleber Souza Correa (IAE)
Possui
- Bacharelado em Meteorologia pela Universidade Federal de Pelotas (1987),
- Mestrado em Sensoriamento Remoto pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1997) e
- Doutorado em Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2005).
Foi pesquisador do Instituto de Controle do Espaço Aéreo (ICEA) e do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE).
Atuou como professor colaborador do Programa de Pós Graduação em Ciências eTecnologias Espaciais (PG/CTE) do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), ministrou a matéria Meteorologia Aeroespacial (TE-203), finalizando sua participação em 2023.
Possui o Curso de Comando e Estado Maior da Aeronáutica na Universidade da Força Aérea (UNIFA) no Rio de Janeiro,realizado em 2012.
Tem experiência na área de Geociências, com ênfase em Meteorologia, atuando principalmente nos seguintes temas: Micrometeorologia, Meteorologia de Mesoes