Teorias da verdade

uma introdução

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Informações: acm@acm-itea.org

Ricardo Mendes Grande[1]

Antes do trabalho de Tarski[2], como bem notara Popper, havia uma enorme desconfiança concernente ao conceito de verdade como correspondência. As teorias de Russell e Wittgenstein não se mostravam muito superiores às teorias da coerência e pragmáticas propostas, e.g., por Bradley e James, respectivamente. Embora alguma cautela seja necessária para interpretar a teoria de Tarski como correspondência no sentido amplo, o próprio autor usou termos que remetem a algum tipo de correspondência com a realidade em vários artigos escritos posteriormente, como em The semantic conception of truth[3]: “A sentence is true if it designates an existing state of affairs”.

Não obstante, a suposta perda de desconfiança, se existiu, foi temporária, dadas as limitações impostas por Tarski (verdade em uma linguagem específica e especificável, inaplicabilidade às linguagens naturais, e.g). Não importando as limitações do trabalho de Tarski, ele se mostrou assaz relevante para o estabelecimento da teoria dos modelos e serviu de paradigma para muito do que veio a ser feito a posteriori. Citamos, a título de ilustração, os trabalhos de Kripke e Newton da Costa.

Acreditamos que o tema seja bastante coerente com o momento histórico atual em que muito se fala em narrativas e pós-verdade sem sequer mencionar o tema da verdade. As teorias da verdade podem ser úteis não apenas a lógicos e matemáticos, mas a filósofos, sociólogos e ao público geral interessado em fugir das armadilhas dessas narrativas. O objetivo de nossa palestra é o de elaborar uma sucinta introdução a algumas das principais teorias da verdade, dentre as quais destacaremos as teorias da correspondência, redundância, coerência e pragmática. Para uma introdução geral ao tema, recomendamos o texto de Kirkham[4].


[1]Ricardo Mendes Grande é matemático, mestre em física matemática, doutor em lógica e filosofia com pós-doutorado em filosofia da física quântica. Email: rekdinhopoetico@gmail.com

[2]Apresentado originalmente em Polonês em 1930 e cujos resultados centrais datam de 1929. A versão polonesa impressa é de 1933. Várias traduções surgiram ao longo dos anos, sendo a primeira delas para o Alemão em 1933. Baseamo-nos na tradução inglesa revisada e publicada em:

Tarski, A. “The concept of truth in formalized languages”. In Corcoran, J. & Tarski, A.(Ed.) Logic, Semantics and Metamathematics – 2nd edition. Hacket Publishing Co., Indianapolis (1983).

[3]Tarski, A. “The Semantic Conception of Truth: and the Foundations of Semantics”. Philosophy and Phenomenological Research, Vol. 4, No. 3 (Mar., 1944), pp. 341-376.

[4]Kirkham, R. L. Theories of truth -a critical introduction 5th edition.  Mit Univ. Press, USA (2001).

Ricardo Mendes Grande

Tem experiência na área de Matemática, Física Matemática, Lógica e Filosofia da Física Quântica.

Atualmente, interessa-se por epistemologia, lógica, pensamento simbólico, fundamentos da ciência e da matemática.

2012 – 2015
Pós-Doutorado.
Universidade de São Paulo, USP, Brasil.

2007 – 2011
Doutorado em Filosofia.
Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP, Brasil.
Título: A Aplicabilidade da matemática à realidade física-um estudo de caso, Ano de obtenção: 2011.

2003 – 2005
Mestrado em Matemática.
Universidade Federal de São Carlos, UFSCAR, Brasil.
Título: O efeito Aharonov Bohm, Ano de Obtenção: 2005.

1999 – 2002
Graduação em Matemática.
Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, UNESP, Brasil.


1991 – 1995
Curso técnico/profissionalizante.
Escola de Inglês FISK, FISK, Brasil.


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