– no Ensino de Química
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Informações: acm@acm-itea.org
O ensino de Química tem enfrentado inúmeros desafios no Brasil e no mundo. No âmbito escolar, essas dificuldades são acentuadas pelo agravamento das condições estruturais das escolas básicas e por um projeto escolar que muitas vezes se mostra descontextualizado da vida cotidiana, o que resulta no desinteresse dos estudantes pela disciplina de Química (FERNANDEZ, 2018; CANGEMI; SANTOS; CLARONETO, 2010; FOUREZ, 2003).
Ademais, observa-se que, com a consolidação do Estado democrático, o advento de novas tecnologias e as mudanças na produção de bens, serviços e conhecimentos, a sociedade tem exigido da escola a promoção de conhecimentos, valores e atitudes que permitam aos alunos integrar-se ao mundo contemporâneo nas dimensões fundamentais da cidadania e do trabalho (BRASIL, 2018, 2013, 2006, 2002, 1999, 1998).
Para mitigar esses problemas, professores, pesquisadores e documentos curriculares têm defendido a necessidade de uma educação baseada em competências básicas para a inserção dos jovens na vida adulta dentro desta nova realidade. Isso inclui a contextualização do conhecimento escolar para dar-lhe significado, a interdisciplinaridade para evitar a compartimentalização do saber, e o incentivo ao raciocínio e à capacidade de aprender (BRASIL, 2018, 2013, 2006, 2002, 1999, 1998).
A História e Filosofia da Ciência (HFC) tem sido apontada por diversos pesquisadores como uma abordagem de ensino adequada para superar tais dificuldades (ILHA; ADAIME, 2020; PIEPER; SANGIOGO, 2020; PRADO; TRENTIN, 2020; FERNANDES; PORTO, 2012; LEITE; PORTO, 2015; PRADO, 2015; VIDAL; PORTO, 2012).
No entanto, estudos indicam que a maioria dos professores de Ciências utiliza os livros didáticos como principais referenciais de sua prática, limitando, assim, os objetivos e abordagens da HFCaos conteúdos presentes nesses materiais (PRADO; TRENTIN, 2020; FERNANDES; PORTO, 2012; LEITE; PORTO, 2015; VIDAL; PORTO, 2012). Esses estudos também revelam que os livros didáticos de Química destinados ao Ensino Médio e os principais livros-texto utilizados no Ensino Superior apresentam uma historiografia simplista.
Portanto, é imprescindível que esse tema seja abordado nos cursos de Licenciatura, uma vez que o professor é responsável por guiar seus alunos na superação de visões distorcidas e na apropriação de compreensões adequadas sobre a ciência e o trabalho científico (PIEPER; SANGIOGO, 2020).
Referências
BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996.
BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Diretrizes curriculares nacionais para o ensino médio. Brasília: MEC/CNE, 1998.
BRASIL. Ministério da Educação (MEC), Secretaria de Educação Média e Tecnológica (Semtec). Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio. Brasília: MEC/Semtec, 1999.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais da Educação Básica. Brasília: MEC/SEB/DICEI, 2013.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018.
CANGEMI, J. M.; SANTOS, A. M.; CLARO NETO, S.; Carta aos Candidatos à Presidência da República do Brasil. Química Nova na Escola, v. 32, n. 3, 2010.
CARVALHO, A. M. P.; GIL-PÉREZ, D. Formação de professores de ciências: tendências e inovações. São Paulo: Cortez, 2011.
FERNANDES, M. A. M.; PORTO, P. A. Investigando a presença da história da ciência em livros didáticos de Química Geral para o ensino superior. Química Nova, v. 35, n. 2, p. 420-429, 2012.
FERNANDEZ C. Formação de professores de Química no Brasil e no mundo. Estudos Avançados, v. 32, n.94, p. 205–224, 2018.
FOUREZ, G. Crise no ensino de ciências? Investigações em Ensino de Ciências, Porto Alegre, v.8, n.2, p. 109-123, 2003.
GURGEL, I. Reflexões político-curriculares sobre a importância da História das Ciências no contexto da crise da modernidade. Caderno Brasileiro de Ensino de Física, v. 37, n. 2, p. 333-350, 2020.
ILHA, G. C.; ADAIME, M. B. História e filosofia da ciência no ensino de química: entre a negação e o devir. Revista Brasileira de História da Ciência, v. 13, n. 2, p. 261-279, 2020.
LEITE, H. S. A.; PORTO, P. A. Análise da abordagem histórica para a tabela periódica em livros de Química Geral para o Ensino Superior usados no Brasil no século XX. Química Nova. v. 38, n. 4, p. 580-587, 2015.
MARTINS, A. F. P. História e filosofia da ciência no ensino: há muitas pedras nesse caminho. Caderno Brasileiro de Ensino de Física, v. 24, n. 1, p. 112-131, 2007.
PIEPER, Q.; SANGIOGO, F. A. Percepções sobre implicações da História e Filosofia da Ciência em aulas deum curso de Licenciatura em Química. Experiências em Ensino de Ciências, v.15, n.1, p. 520-539,2020.
PRADO, L. Pressupostos epistemológicos e a experimentação no Ensino de Química: o caso de Lavoisier. Dissertação de Mestrado em Educação para Ciência. Faculdade de Ciências. Universidade Estadual Paulista. Bauru, 2015.
PRADO, L.; TRENTIN, L. M. História e Filosofia da Ciência para o Ensino de Química: analisando dez anos de trabalhos acadêmicos e sua usabilidade no ensino básico. História da Ciência e Ensino: construindo interfaces, v. 22, p. 3-28, 2020.
VIDAL, P. H. O.; PORTO, P. A. A história da ciência nos livros didáticos de química do PNLEM 2007.Ciência e Educação, v. 18, n. 2, p. 291-308, 2012.

Caian Cremasco Receputi
Mestre em Ciências pelo Programa de Pós-Graduação Interunidades em Ensino de Ciências da Universidade de São Paulo (2019). Licenciado em Química pela Universidade Federal do Espírito Santo (2015). Durante a graduação foi bolsista de Iniciação à Docência (PIBID). Possui experiência na área de Ensino de Química.
Atuou como professor substituto UFES (2015-2017), lecionando, principalmente, disciplinas de Metodologia Científica e Química Básica.
Atualmente é professor da Educação Básica, doutorando no PIEC/USP e membro do grupo de pesquisa Linguagem no Ensino de Química (LiEQui). Desenvolve projeto de pesquisa na linha de Formação de Professores, utilizando como aporte teórico-metodológico a Teoria das Representações Sociais. Participa do corpo editorial da Revista BALBÚRDIA – Revista de Divulgação Científica dos Discentes do PIEC-USP